Por: Equipe NetFighter | 9 de fevereiro de 2017

0.

Pedro Nobre antes de sua última luta no Titan (Foto: Titan FC)

Sabe-se que uma severa crise financeira atingiu todos os setores dos país, e o MMA não poderia passar ileso. Com a saída de investidores, eventos diminuíram drasticamente suas edições, e a maioria dos lutadores, longe dos milhares de dólares de estrelas do UFC, tiveram que buscar alternativas para seguir treinando. Nesta semana, Pedro Nobre, que já lutou no UFC e acabou de disputar o cinturão do americano Titan FC, postou nas redes sociais que estava abandonando o MMA por falta de apoio, mesmo tendo em março uma nova chance de lutar por cinturão no citado evento, segundo os promotores. Procurado pelo NETFIGHTER, o lutador desabafou.

“Está difícil de treinar em alto nível. Vou continuar lutando, cumprindo meus compromissos, e assim que acabarem meus contratos, penso em pendurar as luvas. Tenho que ficar tirando dinheiro do meu bolso para tudo. No Brasil, o cara que vem de baixo, sem ninguém que dê um suporte, não chega muito longe. E é muito difícil ter apoio no esporte nesse país. Pode ter apoio no futebol, mas tem que ter muita sorte. Eu amo lutar, mas está muito difícil ser lutador”, lamentou Nobre.

A difícil situação do carioca não é muito diferente das que milhares de lutadores enfrentam, porém com um agravante: com a idade avançanda, vê as oportunidades ficando cada vez mais raras, mas confia no cartel para conseguir ter seu valor reconhecido.

“Estou com 30 anos, já lutei pra cacete, difícil ver um cartel como o meu. Mas, no Brasil, sou mais um que está esperando. Vejo vários lutadores não tão bem ranqueados, mas com melhores oportunidades, por terem bons contatos. Vou lutar pelo cinturão novamente num torneio internacional, mas até chegar lá tenho que treinar muito, o que custa caro”, conta o ex-TUF Brasil, que possui 18 vitórias, três derrotas e dois empates no MMA, além do “no contest” com Iuri Marajó em sua única luta no UFC.

“Vejo vários lutadores não tão bem ranqueados, mas com melhores oportunidades, por terem bons contatos”.

Para se manter treinando em alto nível mesmo realizando poucas lutas – duas por ano desde 2013- o peso galo da Rio Fighters reveza os treinos com trabalho de motorista no Uber. Pedro usa os amigos como combustível para não abandonar a carreira antes mesmo de honrar os compromissos já firmados com organizações como o Titan e o Epic (evento de Muay Thai).

“Para me manter treinando, trabalho no Uber. MMA é sonho, vontade, mas não tenho lutado tanto para poder me manter com a luta. Treino tanto, tiro dinheiro que poderia usar dentro de casa para chegar lá no Titan e não poder lutar? [Entenda]. Depois da postagem, meu telefone não parava, isso que me segurou até agora, até apaguei o que postei. Por mais chateado que eu esteja, ainda tenho esperança. Tirar da casa para colocar no sonho é complicado, mas eu sempre trabalhei, não quero deixar de trabalhar, muito menos de lutar”, afirmou Pedrinho.

 

Deixe seu comentário!