Por: Equipe NetFighter | 20 de julho de 2016

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pedro kazan
Pedro Kazan é presidente do SMASH Fight, importante evento curitibano (Foto: arquivo pessoal)

Presidente do Smash Fight, evento curitibano que voltará a realizar edições em breve, Pedro Kazan também é empresário do mercado financeiro, sócio-diretor da KZN investimentos. A pedido do NETFIGHTER, o carioca radicado em Curitiba analisou a recente venda do UFC para o grupo americano WME/IMG.

“A recente negociação do UFC foi muito importante para o mercado de MMA, de mídia e entretenimento por alguns fatores. O principal deles é que foi criado um parâmetro de valuation (avaliação e valor de mercado) de um evento de MMA no momento atual, levando em consideração todo o espaço publicitário na TV e ambiente Web que o MMA conquistou ao longo dos anos. A última avaliação concreta do UFC foi com venda de 10% para a empresa Flash Entertainment (controlada pelo Governo de Abu Dhabi) em janeiro de 2010, por U$ 100milhões. Dando ao UFC um valor de mercado de U$ 1Bilhão. Com isso, podemos ver que em pouco mais de 6 anos, o UFC passou de U$ 1Bilhão para U$4Bilhões em valor de mercado. Um crescimento de 300% em 6 anos. Se compararmos com os U$2milhões que os Fertittas pagaram em 2001, temos um crescimento de 199.900% em 15 anos. Isso mesmo, o número não está errado, quase 200.000% de crescimento, além dos lucros anuais, previstos em U$ 200milhões apenas para 2016.

Esse incrível crescimento mostra o poder publicitário que o MMA conquistou em menos de 25 anos de vida e o melhor de tudo é que continua em pleno crescimento. E a venda do UFC para um grande grupo de empresas que investe em mídia, esportes e comunicação confirma isso.

Pense comigo, um evento de MMA tem 4 horas na TV e inúmeras reprises. Estamos falando de dezenas de horas na TV por edição. Já tive reuniões com publicitários renomados que brincavam comigo não saber por onde começar a calcular quanto custa 50horas de mídia na TV em um canal pay per view com 400mil assinantes Classe A e B, uma vez que estão acostumados com minutos, as vezes segundos, em TV aberta. E todas as marcas que compram espaços publicitários no UFC e em outros eventos de MMA transmitidos pela TV se beneficiam disso. É um espaço publicitário incrível e relativamente bem acessível até para pequenas e médias empresas. Só o SMASH FIGHT 2 teve 58 horas na TV, no Canal Combate, 4 horas Ao Vivo e 27 reprises de 2horas em horários alternados. Imagina a quantidade de reprises das melhores edições do UFC para imaginar a quantidade de vezes que sua marca foi vista pelo público. E as reprises tem um público estimado de mais de 60% da transmissão ao vivo, por tratar-se de lutas rápidas e emocionantes. Você assiste reprise de jogo de Futebol?

Esse assunto sobre uma melhor avaliação do Espaço Publicitário no MMA, razão maior para o UFC ter tido esse crescimento monstruoso em valor de mercado, é um ponto marcante na minha história no MMA, quando entrei de sócio no WOCS. Uma das primeiras modificações que identifiquei necessária foi no paradigma de ter “Patrocinadores”. Isso é errado. Não vendemos cotas de patrocínio. Vendemos Espaço Publicitário na TV! Para o empresário, a palavra “Patrocínio” remete dinheiro a fundo perdido, doação. Entretanto, a empresa recebe um incrível espaço publicitário na TV e no Ginásio. Não é Patrocínio. É Investimento. E com retorno bem evidente em mídia. Outro ponto, o mais óbvio, é que o público consumidor de MMA não consome apenas Fight Wear, Energéticos e Suplementos. “Consome” celulares, videogames, carros, motos, hotéis, bancos de investimentos, roupas… Tudo! Principalmente por estarmos falando de um público que nos assiste em TV a cabo, as vezes em canal pay per view. É um valioso público consumidor. E as empresas estão, aos poucos, percebendo isso. O UFC também percebeu isso há muitos anos e começamos a ver “Patrocinadores” (rs) bem diferentes comprando espaços publicitários, como produtoras de Videogames, fábricas de motos, seguros, lâminas de barbear, etc. Esse foi um divisor de águas na história do UFC e do MMA. O segundo incremento fundamental do UFC foi na interação com o consumidor, seja em vídeos de bastidores, treinos abertos, coletivas de imprensa, pesagens bem produzidas e produtos de vestuário que os Atletas utilizam. Isso tudo converge em um propósito: a melhor qualidade da experiência do público durante um evento de MMA. Seja assistindo dentro do ginásio ou pela TV. E nesse ponto o UFC também foi impecável. Manteve o público ativo, principalmente em ambiente web, recebendo produtos UFC constantemente com vídeos, fotos e programas de entrevistas, e não apenas durante os eventos. Percebemos que um Evento de MMA é muito mais do que edições com 8-12 lutas. No ano passado lançamos no Brasil o SMASH FanExperience, um projeto pioneiro de Seminários-Práticos onde o público tem contato direto com seu ídolo, e inauguramos com ninguém menos do que Anderson “The Spider” Silva em conjunto com o mestre De La Riva, no Rio de Janeiro, dentro do mesmo ginásio que já realizei 8 eventos de MMA ao vivo pela TV. Evento limitado para 300 pessoas e recebemos 47 membros da Imprensa. O próprio UFC enviou dois representantes para assistir ao Seminário, uma vez que tratava-se de um dos maiores estrelas do UFC. Em outubro realizamos outra edição com o também estrela do UFC Lyoto Machida no mesmo ginásio que acontecia o Campeonato Brasileiro de Karatê, em Joinville. Ou seja, a percepção de que um Evento de MMA é muito mais do que edições com 8-12 lutas durante 4 horas foi um importante diferencial para o MMA e, claro, para o UFC. 

Eu costumo dizer que o MMA vai conquistar o mundo em poucos anos. No Brasil já é o segundo esporte mais assistido. Quem assiste a um evento de MMA, principalmente de dentro do ginásio, torna-se fã imediatamente. Tem uma história bem legal que aconteceu comigo quando levei meu irmão para o UFC Rio2. Inicialmente ele não queria ir. Disse que gostava mesmo era de futebol. Tentei convencê-lo de que era na primeira fila. Nada. Disse quanto custava o ingresso. “Está maluco! Eu não vou pagar isso”. Disse que eu estava dando o ingresso pra ele. “Então vamos!” (rs). No final da primeira luta do card preliminar ele já estava assistindo em pé, olhos arregalados, assobiando e, gritando, profetizou: “Isso aqui é muito melhor que Futebol. Tem GOL toda hora!”. Nesse momento eu tive certeza que mesmo um ávido consumidor de Futebol se renderia as inúmeras emoções de um evento de MMA e que seria questão de pouco tempo para conquistá-los. Bastava que fossem a um evento de MMA. E nesse ponto, chegamos ao mais importante paradigma que tento quebrar desde que entrei no MMA: Os eventos de MMA não são concorrentes entre si. Sempre digo isso aos outros produtores de eventos que tenho contato: “O meu concorrente é o Futebol! É para o Futebol que as maiores empresas destinam quase toda a sua verba de publicidade no Brasil”. O UFC sendo o maior player do MMA é o meu maior aliado. Ele capta clientes consumidores de MMA pra mim e para os outros eventos de MMA, pelo mundo.

Para finalizar, estou muito otimista com o Mercado de MMA no Mundo e no Brasil, mesmo com o nosso país passando por anos de clara crise econômica interna. A venda do UFC por U$4bilhões para um grande grupo de investidores esportivos, de mídia e comunicação deixa claro que ainda temos muito espaço de crescimento e aos poucos vamos conquistando cada vez mais público e espaço publicitário. E não tenho dúvidas que os Atletas também serão grandes beneficiados dessa movimentação, uma vez que são importantes interlocutores entre o Evento e o público. 

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