Por: Equipe NetFighter | 9 de novembro de 2016

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Em entrevista exclusiva ao NetFighter, a atleta contou um pouco sobre sua trajetória nas artes marciais e seus treinamentos para a luta

Iasmim Casser finalizou Jamila Sandora no Fight 2 Night. Foto: Felipe Panfili

Na última sexta-feira, 4, aconteceu na Marina da Glória, Rio de Janeiro, o Fight 2 Night, evento organizado pelo ator Bruno Gagliasso e a lenda do UFC Pedro Rizzo. A luta de abertura do evento foi de estreantes no MMA, entre a gaúcha Iasmim Casser e a carioca Jamila Sandora, luta amadora, que terminou com a vitória de Iasmim por finalização em pouco mais de 1 minuto de combate, apesar da estratégia montada para o combate ter sido outra: “O plano era mostrar o Muay Thai, que seria meu forte, só levar pro chão em último caso. Nós não tínhamos acesso a nenhuma informação sobre a Jamila. O que aconteceu foi estranho. Eu estava muito nervosa e travei. Não fiz nada em pé, simplesmente congelei”.

“Clinchei e não soltei nenhuma joelhada. Ela estava toda exposta e o clinch perfeito para entrar o joelho, e eu estava vendo isso, mas travei. Faz parte. Foi a primeira, estava muito nervosa

A gaúcha de Rio Grande, que já estudou música e jogou futebol na infância “por influência do meu pai”, foi modelo aos 12 anos, mas “era o que minha mãe queria. Eu sentia que não era exatamente o que eu gostava. Então fui deixando de lado”, conheceu o teatro depois que foi estudar em Pelotas, aos 13, assim como o circo, que considera sua primeira experiência em treinamento físico: “Eu tinha zero flexibilidade, zero condicionamento ou equilíbrio. Em pouco tempo, com os treinos exaustivos e muita dor, fiquei com todas as aberturas completas e uma flexibilidade incrível, passei a fazer os números acrobáticos com pernas de pau e contorcionismo, enquanto também participava da parte teatral e musical, tudo ao mesmo tempo”.


O primeiro contato com luta se deu através de um colega do grupo de teatro, que também era artista circense e praticava Muay Thai, a levou um dia para treinar, há apenas 2 anos: “Eu fui, mas achava um horror a ideia de bater em alguém, e disse “Nunca irei lutar”. Resumo da história, um mês depois eu estava lutando Muay Thai num campeonato gaúcho, e fui campeã. No outro mês já estava no campeonato brasileiro, e assim por diante, segui competindo e treinando Muay Thai na equipe Muay thai Combat”, conta Iasmim, que já foi campeã brasileira de Muay Thai e está classificada para o mundial que acontecerá na Tailândia em março do ano que vem.

“A sensação de subir no ringue foi algo incrível, fez meu coração bater tão forte, e descobri que era aquela adrenalina que eu queria pra mim”

Apenas no início de 2015 teve seu primeiro contato com o Jiu-Jitsu, em um treino de MMA na academia em que treinava, através do professor Fabricio Machado, mas não foi amor à primeira vista: “vendo aqueles movimentos no chão eu achei legal, mas achava chato, muito agarramento pra mim”. Opinião que mudou completamente após aceitar convite do mesmo professor e ter uma semana de treinamentos: “eu fui essa semana para o tal de jiu-jitsu que eu achava chato. Resumo, eu nunca mais consegui sair do jiu-jitsu. Eu me apaixonei tanto pela arte suave, que chegava a fazer 3 treinos por dia. Meses depois eu estava competindo, e de cara fui campeã na minha categoria e no Absoluto, fazendo a final do absoluto com uma campeã mundial”. Retornou por pouco tempo para Rio Grande, logo que fez 18 anos, e lá treinou com Daniel Lopes Rodrigues “que virou meu grande amigo e incentivador. Meu jiu-jitsu se ajustou muito treinando lá e eu fiquei cada vez mais apaixonada pela arte”.

2 anos que mudaram a minha vida! #muaythai #jiujitsu #boxe

Uma foto publicada por Iasmim Casser (@iasmimcasserbjj) em


Quanto ao MMA, o convite para treinar surgiu em um seminário do Lutador do UFC e campeão do TUF Brasil, Rony Jason, na cidade de Porto Alegre, onde ela conheceu o mestre Fabiano Montes Doca, líder da Boxer MMA: “Ele me viu fazendo alguma sequência e veio falar comigo. Se encantou por mim, perguntou a minha idade. Eu disse que tinha 17. Então ele disse que quando eu fizesse 18 anos eu poderia treinar na equipe dele. Eu quase estourei de alegria”.

Há cerca de 1 mês, quando teve a confirmação de que lutaria no Fight 2 Night, largou tudo e foi para Porto Alegre começar a transição para o MMA na academia Boxer MMA, onde também começou a treinar “de verdade” o Boxe, após uma experiência no início deste ano: “Houve um Campeonato de boxe em pelotas e o meu professor me colocou no card, mesmo sem nunca haver treinado boxe, contra uma menina que na época era muito mais pesada que eu. Eu estava apavorada. Uma semana antes eu desloquei o ombro, mesmo assim lutei. Acabei vencendo, na garra”.


No Fight 2 Night, Iasmim lutou pela categoria peso pena (até 66 kg), que é a mesma categoria de Cris Cyborg, porém que não há no UFC, organização que a maioria dos lutadores sonha em chegar. A gaúcha, de 1,80m, afirma que lutou neste peso apenas nesta oportunidade, mas “a minha categoria é a peso galo“, disse ela, que se espelha em diversos atletas para ter sucesso no mundo da luta: “Os Gracie’s no jiu-jitsu, eu sou fissurada. Ronda Rousey e Miesha Tate no MMA. Buakaw, Ramon Dekkers, no Muay Thai, e também pessoas que eu convivo, como o Jussemar (Noskoski), bi-campeão mundial de Muay Thai, meu colega na federação gaúcha; a minha melhor amiga, Eduarda Campos, campeã mundial de Muay Thai; meu mestre Fabiano, que fez história no Vale Tudo; meu ex-professor de Jiu-Jitsu, Daniel; minha ex-colega de Jiu-Jitsu, Maísa Gurgel; meu ex-colega do Muay Thai Douglas Menna, entre diversas outras pessoas”.

Sobre convites para lutar MMA novamente, ela diz não ter recebido nenhum ainda: “que eu saiba, pois quem cuida disso é o mestre. Mas eu disputo um cinturão de Muay Thai na semana que vem”. Dado o extenso currículo de alguém com apenas 18 anos e a ótima apresentação em sua estreia no MMA, convites com certeza não irão faltar.

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